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Considerações Tecnológicas

A Bacia Sanitária

Criada na Inglaterra no fim do século XIX sob o nome de water closet, a bacia sanitária, assim como as instalações prediais de água e de esgoto, constituiram um notável avanço tecnológico que possibilitou ao homem deslocar-se do campo para concentrar-se nos centros urbanos. Assim como é concebida nos tempos atuais, a bacia sanitária é um recipiente de formato anatômico dotado de um poço de água destinado a receber os resíduos da fisiologia humana e de um dispositivo interno capaz de removê-los mediante um fluxo de água.
A energia hidrodinâmica utilizada no processo é provida por um dispositivo de descarga que supre a bacia sanitária com água em volume e velocidade adequados não apenas para a remoção dos resíduos depositados na bacia, mas também para conduzí-los pela tubulação de esgoto, no sentido horizontal, até o tubo de queda das instalações prediais.

Água, um Recurso Natural Limitado

As antigas bacias sanitárias necessitam de grandes volumes de água de descarga, sendo responsáveis pelo alto consumo d'água nos domicílios.
Em 1997, a exemplo do que foi feito nos países do primeiro mundo, com a finalidade de reduzir o consumo d'água nas instalações sanitárias, o Ministério do Interior, através do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Habitat - PBQP-H, estabeleceu em norma, novos limites máximos de utilização de água para a limpeza de bacias sanitárias, a serem adotados, gradativamente, até o ano de 2002.
Segundo essa determinação governamental, até o ano de 1999, as bacias sanitárias utilizadas no Brasil poderiam consumir até 12 litros de água de descarga por ciclo.
A partir do ano de 2000, o limite máximo de utilização d'água por bacias sanitárias passou a ser de 9 litros por descarga. Em 2002, esse limite passou para 6 litros, nível adotado pelos países da Comunidade Européia e Estados Unidos.

Antecipando os prazos da norma, todas as fábricas de louça sanitária tomaram a iniciativa de antecipar o lançamento de bacias de descarga reduzida projetadas para funcionar com apenas 6 litros de água. Para que se possa estabelecer e controlar o volume do consumo de água das bacias sanitárias é necessário que a descarga seja provida de uma caixa de descarga, que por sua própria natureza só poderá liberar desgargas de acordo com o volume de seu reservatório.
Como, na prática, é impossível controlar o volume de descarga liberado por válvulas fluxíveis, a utilização desse tipo de aparelho de descarga está fadado ao desaparecimento.

Um Sistema Integrado

A bacia sanitária é, na realidade, apenas um dos componentes de um sistema integrado composto de:
bacia sanitária
caixa de descarga
tubulação de esgoto

Para que o sistema funcione eficazmente com os volumes de descarga reduzidos estabelecidos pela norma em vigor, é necessário que haja uma perfeita harmonia entre os três componentes que o compõe.
O funcionamento do sistema se processa em 3 fases distintas.
A primeira fase, que deve consumir não mais que 40% do volume de água do reservatório, destina-se a tirar da inércia a carga de líquidos e sólidos estacionados no poço da bacia e lançá-los na rede de esgoto.
A segunda fase, consumindo outros 40% do volume de água da descarga, tem a função de atuar como um êmbolo hídrico constituído de água limpa que mantém o fluxo inicial da carga de efluentes em movimento no interior do segmento horizontal da tubulação de esgoto até seu ingresso no tubo de queda do edifício.
Os 20% restantes do final da descarga destinam-se a reencher o poço da bacia e recompor o fecho hídrico do sistema, impedindo o ingresso de gazes e odores no ambiente.

O desempenho satisfatório de uma bacia sanitária de baixo consumo depende, portanto, de sua capacidade de remover a totalidade de resíduos sólidos com os 40% iniciais da água descarregada pelo dispositivo de descarga para que ainda restem, no mínimo, 2,5 litros de água limpa para carregar os resíduos sólidos até o tubo de queda do sistema.
Considerando que, o volume, a densidade e a natureza dos sólidos que são depositados nas bacias sanitárias, assim como as distâncias horizontais da tubulação de esgoto variam de caso para caso, é necessário que a energia hidrodinâmica aplicada no processo seja compatível com o tipo de bacia sanitária utilizada e, suficientemente enérgico para atender às hipóteses extremas.

A Inteligência de Colocar as Coisas Certas no Lugar Certo

A maneira mais inteligente de suprir bacias sanitárias com uma descarga mais eficiente está em instalar a caixa de descarga no interior da parede do banheiro. A instalação de caixas de descarga no interior da parede do banheiro proporciona vários benefícios, tanto para o construtor, quanto para o usuário do banheiro.

A- Possibilitam a instalação da caixa de descarga em posição mais elevada garantindo vazões e velocidade do fluxo da descarga adequadas ao bom funcionamento com todos os tipos de bacias sanitárias, sejam de sifonagem, sejam de arraste;
B- Possibilitam a instalação da bacia sanitária mais próximo à parede com conseqüente ganho de espaço útil, possibilitando a construção de banheiros confortáveis, mesmo que de pequenas dimensões;
C- São totalmente compatíveis com as bacias sanitárias de saída horizontal, assim como bacias suspensas utilizadas nas instalações de banheiros racionais em que o segmento horizontal da tubulação de esgoto é instalado no interior das paredes drywall e acima do nível do piso;
D- podem ser instaladas tanto no interior de paredes de alvenaria convencional como em paredes tipo drywall.

 

Tipos de Bacia Sanitária

As bacias sanitárias podem ser configuradas para funcionar por sifonagem ou pelo principio do arraste.

Por Sifonagem
Bacias sanitárias convencionais que funcionam pelo principio da sifonagem, descarregam o esgoto para baixo.

Por Arraste
Bacias sanitárias de saída horizontal, funcionam por arraste.
É o tipo de bacia utilizada em banheiros racionais, nos quais a tubulação de esgoto é instalada no interior de paredes "dry wall" acima do nível do piso. O sistema de funcionamento por arraste pode direcionar o fluxo tanto no sentido horizontal como para baixo.
Bacias de saída horizontal podem ser apoiadas no chão ou suspensas, isto é, fixadas na parede do banheiro.

Bacias Sanitárias
de Baixo Consumo

Bacias Sanit árias de Ação Sifônica
Nas bacias sanitárias de ação sif ônica, a água da descarga é introduzida no interior do poço através de um colar de distribuição situado na parte superior do vaso. Orientado pela inclinação das paredes da bacia, o fluxo de água converge para o fundo do poço.
A energia hidrodinâmica resultante do volume e vazão da descarga põe em movimento a massa constituída por líquidos e sólidos, depositada no interior da bacia transferindo-a para o sifão situado no interior da bacia.
Processa-se então o fenômeno da sifonagem segundo o qual o restante do conteúdo do poço da bacia é sugado para baixo para o interior da tubulação de esgoto situada abaixo da laje do piso.
Para que bacias de ação sifônica funcionem com volumes reduzidos de água é necessário não apenas diminuir o tamanho do poço de água da bacia como também reduzir o diâmetro do sifão.
Reduzindo-se o diâmetro do sifão, reduz-se por conseqüência direta a capacidade da bacia de deixar passar resíduos sólidos de maior volume com o conseqüente incremento do risco de entupimentos indesejáveis.
Bacias sanit árias de baixo consumo de ação sifônica acopladas a caixa de descarga de vazão reduzida (1,4l/seg) funcionam muito próximo dos limites de utilização deixando, com irritante freqüência, resíduos após a descarga, tornando necessária uma segunda descarga para a completa limpeza do vaso.
Para que esse tipo de bacia apresente um funcionamento adequado é necessário que seja abastecida por uma caixa de descarga instalada em posição mais elevada capaz de proporcionar vazão de no mínimo 1,7 l/seg.



Bacias Sanitárias de Arraste

Nesse tipo de bacia, o fluxo de efluentes é expulso do poço do vaso diretamente para a tubulação de esgoto através de um duto de grande diâmetro que permite a passagem desimpedida da massa de efluentes líquidos e sólidos independente da sua natureza, volume, ou densidade.
A transferencia dos efluentes do poço do vaso para a tubulação de esgoto é feita exclusivamente através da energia hidrodinâmica oriunda da descarga de água aplicada no processo.
Para que esse tipo de bacia funcione eficazmente, é necessário que a velocidade da água da descarga se situe entre 1,7 a 2,2 litros por segundo. Quanto maior a vazão, maior a capacidade de remoção de sólidos do poço da bacia, melhor o fluxo do esgoto no tramo horizontal até o tubo de queda, e melhor o desempenho do sistema como um todo.
Bacias sanitárias de arraste, de baixo consumo (6 litros) devem portanto serem associadas a caixas de descarga instalada em posição elevada capazes de proporcionar descargas de alta vazão (1,7 a 2,2 l/seg).

1,4 l/seg (vazão insuficiente)
1,7 a 2,2 l/seg (vazão adequada)